Qual a Cocanha de vocês?

Olá leitores!!!!! Hoje descobri a Cocanha!
Eu não sabia o que era, mas algumas pesquisas me mostraram que a Cocanha é um lugar simbólico, que representa todos os desejos de uma pessoa ou de um povo inteiro, em determinado momento histórico. Lá tem-se amor, fartura, alegrias, dignidade, juventude e felicidade eterna!

Bruegel. O país da Cocanha. Pinacoteca de Munique. Munique, 1567

Esse lugar imaginário foi palco de fatos importantes, como a imigração italiana para o Brasil e também textos literários e obras pictóricas. 

E na nossa literatura, temos pelo menos cinco manifestações literárias em que a Cocanha é concretizada:

  • Manuel Bandeira, em seu poema "Vou-me embora pra Pasárgada", revela a Pasárgada como a cocanha pessoal do eu-lirico:
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

  • Monteiro Lobato também aderiu a Cocanha em seu conjunto de livros de "O Sítio do Pica-Pau Amarelo", no qual a fazenda da Dona Benta serve como um refúgio e perfeição para Pedrinho e Narizinho, pois lá os sonhos são realizados.
  •   No livro de Aquiles Bernardi, “Vida e história de Nanetto Pipetta”, que narra as aventuras do personagem-título na “Mérica”, lugar para onde imigra, na esperança, entre outras coisas, de encontrar o “Paese della Cuccagna” (Terra da Abundância).
  •  O folheto de cordel de Manoel Camilo dos Santos, “Viagem a São Saruê”, narra a viagem do poeta ao melhor país que neste mundo existe: São Saruê:
"...Uma barra de ouro puro

servindo de placa, eu vi
com as letras de brilhante
chegando mais perto eu li
dizia: ‘São Saruê’
é este lugar aqui.

Quando avistei o povo
fiquei de tudo abismado
era um povo alegre e forte
sadio e civilizado
bom tratável e benfazejo
por todos fui abraçado.

O povo em ‘São Saruê’
tudo tem felicidade
passa bem, anda decente
não há contrariedade
sem precisar trabalhar
e tem dinheiro à vontade..."

  • José Clemente Pozenato, no seu romance chamado “A Cocanha”, narra a vinda, esperançosa, dos imigrantes italianos para as terras a eles destinadas no Rio Grande do Sul, no século XIX. O romance do autor, junto com “O quatrilho” e “A babilônia”, forma uma trilogia da saga da imigração italiana para o Sul do Brasil.
Fugindo um pouco do mundo literário, temos a música Big Rock Candy Mountains, do final da década de 1920, o lugar é o paraíso para um mendigo andarilho, onde se pode dormir o dia todo, os policiais possuem pernas de madeira, os cachorros têm dentes de borracha, existem árvores de cigarros e esmolas, e rios de álcool (o paraíso dos beberrões :p). A Cocanha é mostrada com bom humor e uma dose de ironia:



Acredito que todos tenhamos uma Cocanha, um lugar em que gostaríamos de viver, onde tudo é perfeito, onde não exista maldade, um lugar em que só a felicidade reine. Afinal, é ótimo fugir um pouco da realidade não é mesmo?! 

Me digam, qual a Cocanha de vocês?

5 comentários:

  1. Que interessante! Nunca havia sabido disso. Bem, então minha cocanha é Nárnia. No mundo real, a Itália é meu lugar dos sonhos, mas sabemos que no mundo real, só quem é perfeito é Deus.

    Clara
    @mmundodetinta
    maravilhosomundodetinta.blogspot.com.br

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  2. Que postagem interessante!

    Eu não tenho uma "cocanha" específica, bem detalhada eu acho. Mas semprei pensei que seria o paraíso viver na Bahia, numa casinha simples, perto de uma cachoeira e com muitas árvores por perto, junto com as pessoas que gosto.

    (desconstruindoaspalavras.blogspot.com.br)

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  3. Não sabia disso, que legal.
    Não tenho uma cocanha, na verdade, minha cocanha seria todos os lugares do mundo, pois tenho vontade de conhecer tudo o que eu puder. Mas, se fosse para escolher, escolheria algum lugar onde reinasse a paz, o amor e onde a miséria não existisse. No mundo real, escolheria algum país da Europa com baixos índices de violência, e com uma primavera maravilhosa.
    Beijos!

    http://temponaoperdido.wordpress.com/

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  4. Nunca pensaria que cocanha significa isso, realmente é algo diferente!

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  5. Adorei saber disso. Não tinha conhecimento desse termo: cocanha. Bem sempre quis ir em Veneza. Talvez esse seria minha cocanha. Pois amo aquela cidade cercada por água, a Basílica de São Marcos e seus museus. Fico encantada por cada imagem que vejo de lá. Linda demais.

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