Mario Quintana

No dia 30 de julho de 1906, em Alegrete, Rio Grande do Sul, nascia um grande poeta, que ficará marcado para sempre em nossas memórias: 


Mário de Miranda Quintana



"Tão bom morrer de amor e continuar vivendo"


Aos 13 anos Mario foi para o colégio militar em Porto Alegre, e lá, o poeta começou a escrever e publicou suas primeiras produções literárias na revista Hyloea, após cinco anos no colégio, ele começou a trabalhar na Livraria O Globo, em 1929 ingressou na redação do jornal O Estado do Rio Grande, porém, o jornal foi fechado em 1930, mesmo ano em que a Revista do Globo e o Correio do Povo publicaram seus versos.

Em 1934 foi publicada a primeira tradução do escritor: Palavras e Sangue, e a partir daí Mario passou a traduzir obras de diversos autores para a Editora Globo. Na década de 40, o poeta que era muito elogiado, recebeu indicação para a Academia Brasileira de Letras por três vezes, mas infelizmente ele nunca conseguiu uma cadeira na ABL, pois as razões eleitorais não lhe permitiam alcançar os 20 votos para fazer parte da Academia, quando foi indicado pela quarta vez, a recusou, e com muito bom humor, fez um poema sobre o ocorrido: 

Poeminha do Contra

"Todos estes que aí estão

Atravancando o meu caminho,

Eles passarão.
Eu passarinho!"

Na mesma década, foi lançado o primeiro livro de poesias de Mario Quintana: A Rua dos Cataventos, iniciando assim, sua carreira como poeta.

Em 1966, foi publicada a sua Antologia Poética, com sessenta poemas, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, e lançada para comemorar seus sessenta anos de idade, sendo por esta razão o poeta saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manuel Bandeira, que recitou o poema Quintanares, de sua autoria, em homenagem ao colega gaúcho. No mesmo ano ganhou o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de Escritores de melhor livro do ano. Em 1976, ao completar setenta anos, recebeu a medalha Negrinho do Pastoreio do governo do estado do Rio Grande do Sul. Em 1980 recebeu o prêmio Machado de Assis, da ABL, pelo conjunto da obra.



Bilhete

"Se tu me amas, ama-me baixinho 
Não o grites de cima dos telhados

Deixa em paz os passarinhos

Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."


Quintana sempre foi solitário, nunca se casou e não teve filhos, e mesmo sendo extremamente preso à sua querida Porto Alegre, o escritor fez excelentes amigos entre os grandes intelectuais da época. Seus trabalhos eram elogiados por Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Morais, Cecília Meireles e João Cabral de Melo Neto, além de Manuel Bandeira.

"Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho."

E com 88 anos, no dia 5 de maio de 1994, morreu este gigante da literatura nacional, depois de ter sido internado no Hospital Moinhos de Vento com infecção intestinal e insuficiência respiratória. O poeta, nos deixou de herança grandes poemas, que com simples palavras nos tocam profundamente, Mário Quintana será eterno, pois é impossível não se encantar com seus versos.

Curiosidades: - Quintana por Érico Verissimo: “Descobri outro dia que o Quintana na verdade é um anjo disfarçado de homem. Às vezes, quando ele se descuida ao vestir o casaco, suas asas ficam de fora."

Mario gostava dos filmes Janela Indiscreta e Os Pássaros (de Alfred Hitchcock), O Garoto (de Charles Chaplin), e Rainha Cristina (de Ruben Mamoulian) com Greta Garbo, que era uma de suas musas.

- Ele sempre apreciou presunto, café e quindim. Depois de velho, passou a gostar de mousse de chocolate. Tinha uma alimentação rotineira, mas curiosa: repetia o mesmo prato até enjoar, geralmente por um mês. Gostava principalmente de picadinho, filé mignon e canja. Depois de acostumar o estômago, trocava de prato e o repetia por mais 30 dias.

Confiram um texto escrito pelo poeta para a revista IstoÉ de 14/11/1984:

"Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?..."

Espero que tenham gostado de saber mais um pouco sobre esse maravilhoso poeta e tradutor, eu adorei pesquisar sobre ele e ler seus poemas novamente, pois os acho lindos e adoro lê-los diversas vezes, e vocês gostam de Quintana?

Um beijão!!! 



4 comentários:

  1. Ah, gosto muito do Mario Quintana!Ele é ótimo. =)
    É muito bacana você divulgar estes autores e suas obras. Adorei mesmo.

    Beijocas, Lara.
    http://artesaliteraria.blogspot.com.br

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  2. Olá!!

    Adoro Mário Quitana... fala de forma simples e bonita *o*



    Beijos,

    Samantha Monteiro
    Word In My Bag
    http://wordinmybag.blogspot.com.br/

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  3. Lara, conheci muita coisa interessante de Mário Quintana quando fiz a pesquisa para o post em Imortais da Literatura. O mais interessante é em relação a ABL, o que de fato é uma pena que isso tenha acontecido.
    Não costumo ler poemas, mas quando pesquisei sobre ele isso mudou.

    Parabéns pelo post.
    Beijos
    Ricardo - www.overshock.blogspot.com.br

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  4. Oi Lara, adoro o autor,não sabia essa história da ABL, uma pena. Parabéns pelo post.
    beijos, Fran.

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